Os gurus

E vão se achegando os gurus-de-tudo-um-pouco, os mentores da bondade, fazendo nas redes sociais o seu “rebanho”, e vão espalhando sua “opinião” como doutrina, vão ensinando que o ego é feio, é ruim e é péssimo, que o bom mesmo é suprimi-lo e desprender-se dele, fundindo-se a algo que é não-sei-o-quê ou não é nada mesmo.

E nesse… bandido bom-mocismo, pregam que para se chegar a essa “generosidade” com o universo – deixar de existir como indivíduo – a meditação é o caminho, é sempre o caminho, é o único caminho. E pegam a meditação, essa boa ferramenta, e a transformam em aborrecida panaceia, falada, citada, prescrita ao infinito, afastando dela os menos conformados, os mais atentos, os mais críticos.

E percebe-se no ar um inocultável desejo de influência, uma vontade indisfarçável de ser percebido, uma ânsia de ser visto como liderança benevolente. E mesmo nos casos mais quase-sinceros, em que o sujeito acha mesmo que pode, e parece desejar mesmo, fazer uma diferença, é impossível não pensar que esses gurus, quase todos, ou qualquer um deles – esses que ensinam a suprimir o ego – querem mesmo, no fundo, ou no raso, é sentir-se bem consigo mesmos.

(E estaria tudo bem, se isso não fosse veementemente negado ou permanentemente omitido)

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