Preste atenção ao seu oposto

É importante assisitir a algumas coisas de que você não gosta e ler algumas opiniões com que você não concorda.

Sejamos honestos: muitos de nós fazem isso só para exercitar uma espécie de raiva muda autovalorizadora, uma discordância semiautomática que nos faz, com frequência, nos sentir superiores.

Não sei se isso é saudável ou não. Provavelmente, às vezes é, às vezes não, talvez dependendo da frequência (e, quando é, é porque nesta vida – a verdadeira, não aquela fantasia rósea dos piegas sentimentaloides em comunidades bom-mocistas – é preciso exercitar a oposição).

Mas a necessidade de conhecer o oposto, de ouvir e/ou entender o adversário, vai além da autossatisfação egoica, saudável ou doentia. Tem a ver com amplitude de percepção e variedade de recursos, principalmente de expressão (sem falar na visão estratégica para o caso de um embate…).

Porque o sujeito que nos irrita ou exaspera, com seu discurso mais à direita ou mais à esquerda, com sua opinião mais tolerante ou mais raivosa, pode ser hábil o suficiente para nos ensinar algo em termos de expressão inteligente – mesmo se discordarmos frontal e visceralmente dele. Talvez ele possa até nos ensinar algo em termos de erudição. Corremos inclusive o risco – tente não tremer de preconceito, leitor – de ser convencidos por ele sobre alguma coisa.

E, se nada disso acontecer, é útil conhecê-lo melhor se um dia for necessário enfrentá-lo (ou alguém da mesma “tribo”).

Assim, abra sua cabeça, encontre sua coragem, firme-se em sua percepção e preste atenção ao seu oposto. Talvez, de alguma forma, por mais que pensar nisso seja incômodo, ele ajude a definir você (exceção feita a violências várias e outras desumanidades extremas).

Talvez de algum jeito, incompreensível para você, mas importante para o universo, ele seja o seu complemento. Só por isso, ele não mereceria que você o respeitasse, ou notasse a existência dele?

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