Não foi o primeiro que eu vi

Acho estranho que cause tanto frisson e polêmica o fato de aparecer “pela primeira vez” numa novela da emissora líder o que se pode ver quase a qualquer hora descendo a rua Frei Caneca.

Para mim, o episódio em si tem mais força pela negação do que pela exibição: só agora, em 2014, a cúpula global se animou a autorizar uma cena assim? Uau, eles chegaram atrasados…

Sei, entendo o valor simbólico que isso (supostamente) tem. Que as pessoas pensam que tem: a (supostamente, de novo) mais conservadora e impositiva das emissoras assumindo em público que homens se beijam, que isso não é execrável e pode ser mostrado para as famílias que compõem sua audiência.

Ok, talvez não seja, de todo, irrelevante.

Fico contente que afinal se tenha quebrado essa espécie de, vá lá, paradigma. No fim das contas, a cena foi bela, sincera e eficiente em retratar o gesto resultante de um relacionamento amoroso.

Mas fico espantado que tenha demorado tanto para acontecer, e até meio triste que tantos torcessem tanto para o acontecido. Parece que se estava esperando uma espécie de chancela.

A “super emissora”, digamos, “cedeu” aos novos tempos – sabe-se lá se por enriquecimento moral ou sobrevivência comercial. Pode até ter sido por ambos os motivos.

Em todos os casos, mostrou uma cena que só não foi banal graças ao talento dos atores, e uma situação que, para ser mostrada, já havia passado muito da hora.

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