Incompetência carnavalesca

Todo carnaval me surpreendo de novo com a incapacidade do Ministério da Saúde de fazer campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. De certa forma, o órgão (sem trocadilho, juro) nunca me decepciona: consegue ser sempre pior nesse quesito.

Sei dos meandros que uma ideia publicitária percorre, principalmente se for para algum setor de qualquer governo. É realista imaginar que, em algum momento, um bando de burocratas – ou um só, bem convicto – meteu a mão na proposta inicial, piorando-a, ou então que o ponto de partida (tipo “tem que ser jovem”) era uma míope camisa de força.

Não sei se esse tipo de campanha, nessa época, tem de contar uma historinha ou fazer gracejos. Você imagina que no embalo dos hormônios, do superestímulo da nudez e sob influência de álcool ou outras químicas (sem juízo moral aqui, para os três itens) o jovem vai se deixar induzir a um comportamento mais responsável por uma campanha modernosa, que se supõe “moderninha” e subestima a inteligência do público?

Era preciso mais impacto (não confundir com grosseria, bronca ou terrorismo), mais clareza, mais criatividade – mais bem aplicada.

O tema é certamente espinhoso: envolve o comportamento sexual de um mundo de gente. No caso do jovem, no auge do impulsos. É claro que é difícil falar com ele sobre isso, descobrir como se abre esse diálogo e o que fazer para ser convincente. É preciso informação de primeira sobre o público e muito talento e habilidade na criação.

É uma campanha a cada vez, porque os hábitos, os fatos, o ambiente e os gostos mudam. Ninguém sabe direito, de pronto, como se faz isso (mas há formas, muitas, de melhorar o resultado).

O que todo mundo sabe é que com a caretice, as suposições furadas e a pretensão que o Ministério usa há uns vinte anos, não se dialoga com ninguém.

Tags: , , , , , , ,

Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>