Bom negócio. Ponto com

A campanha do bomnegócio.com era um tanto interessante, de saída, pelo inusitado, mas algo estava fora de foco. Dava para entender que a Narcisa Tamborindeguy personificava um objeto que sobrava no espaço, atormentando o dono, mas não se deduzia um vínculo consistente entre a cômoda de onde saía sua cabeça e a pasmaceira na vida do casal, que ela criticava.

Já os comerciais com Paulo Gustavo e Sergio Mallandro estavam mais no tom, o primeiro numa bicicleta encostada (“que tal ter um glúteo?”), o segundo num carrinho de bebê (“glu, glu…”).

Mas o mais criativo, redondo e engraçado é o que tem Supla como a personificação de uma bateria. Não só pela excelente performance do roqueiro – mais sincera e menos forçada do que a das outras celebridades convocadas para a mesma campanha – mas também pela qualidade do texto que ele interpreta. Afinado, encaixado, lógico sem deixar de ser leve e bem humorado. Tudo no lugar.

Detalhes técnicos (perdoáveis) e escorregadas redatoriais (já meio dolorosas) fora dessa ação específica não deixam o comercial ser, digamos, perfeito. Mas ele representa bem, e com bastante dignidade, um tipo de criatividade de que se fala muito e o qual se pratica pouco: “nova”, “inovadora”, própria a uma “outra geração”, fora do feijão com arroz da publicidade sem ousadia que tantos ainda exercitamos, em demasia, por obra dos prazos, dos egos, da covardia e do desgaste.

Se ela existe como uma coisa diferente da criatividade publicitária, e, sendo outra coisa, a influencia, isto é inovação.

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