Inteligência em concorrência

Nas concorrências entre agências de comunicação, há em vigor uma prática nociva, ilógica e injusta, instituída não sei por quem, não sei com que objetivo, e que certamente empobrece a publicidade.

Funciona assim: todas as agências que participam do processo recebem o mesmo briefing, claro… mas se uma delas fizer algum questionamento não contemplado neste briefing, a pergunta e a resposta também são compartilhadas com todas!

É bem sabido que fazer as perguntas certas é alto sinal de inteligência e competência. O que quer dizer que, numa concorrência deste tipo, se uma agência tiver uma visão estratégica única que lhe permitirá desenvolver uma proposta diferenciada – e por ter esta visão precisar de informação complementar – o compartilhamento com as concorrentes esvazia esta possibilidade. É como entregar o ouro para o bandido!

Por isso, muitas agências até ensaiam um movimento de ir além do briefing, mas desistem porque não concordam em ceder seu talento criativo assim, de bandeja, para as concorrentes, e acabam ficando desanimadoramente dentro das linhas já traçadas. Ou seja, perdem-se boas ideias.

Perde a agência. Perde o cliente. Perde o consumidor. Perde a publicidade. A quem interessa isso?

Considero que, além do briefing original, cada agência concorrente tem direito às suas próprias perguntas e respostas, com tudo de frutífero (ou não) que possa resultar disso.

E tenho por certo que isso resultaria em concorrências mais dinâmicas, inteligentes, estimulantes, inspiradoras – um celeiro ideal (ou mais próximo de) para grandes ideias em publicidade.

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