Criar por vocação

Ser criativo não é fácil. É tarefa para corajosos. Vale para o “criativo puro”, mas particulamente para o publicitário.

Muita poluição e ruído encobrem a função, a vocação e o impulso do criativo, atenuando ou até neutralizando o que ele é capaz de fazer. A beleza, o colorido e o interesse que ele é capaz de gerar. O dinheiro que é capaz de ganhar (não necessariamente para si mesmo).

Entre as guerras políticas, as covardias corporativas e os embates de vaidades, foco-me, encanto-me, realizo-me na ideia. Sou criativo de vocação e formação. De convicção e teimosia. O resto não me importa muito.

Abracei a criação, com os prazeres e as dores que vêm junto com ela. Faço coisas belas e outras nem tanto, tiro ideias memoráveis da cartola e encontro também soluções mais, digamos, funcionais.

Mas eu me arrisco no insondável do dia a dia, no inesperado do próximo job. Não tem método nem curso que ensine isso. É isso que dá graça à coisa. É isso que amedronta todo mundo. É isso que enseja a sabotagem…

Como os meus melhores e mais brilhantes colegas, tenho lá os meus defeitos, mas sei que faço bem o meu trabalho. Por vezes, confesso, acho que fui brilhante. Quero o reconhecimento profissional por isso, claro, mas não louros em excesso, nem rasgação de seda demasiada.

Fora a valorização do trabalho benfeito, minha ambição acho que é uma só. E se expressa assim: quero que os que não tiveram tutano para encarar o difícil desafio de ser criativo fiquem fora do meu caminho.

Em outras palavras, que não interfiram no meu melhor.

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