Quero vender

Você quer vender? Eu quero.

Quero vender, propor, seduzir, convencer. Quero argumentar e encantar, a ponto de fazer o sujeito do outro lado pôr a mão no bolso e comprar o que eu estou oferecendo – sabendo o que vai comprar

Quero vender, sim, e daí?

Só que para fazer isso não sou capaz de apelar para qualquer expediente. Mentir, nem pensar. Emburrecer, menos ainda. Insuflar preconceito, violência – ou mau gosto – fora de cogitação.

Tem gente que não tem, digamos, esses “pruridos”. Que pensa que, se vendeu, é bom, foi bem feito e bem bolado. Que tem no resultado o único parâmetro de excelência, de um trabalho bem realizado (mais ou menos como um atleta que ganha um jogo roubado).

Daí que eu acredito que tem a venda honesta e a desonesta.

Antiquado eu, né?

Pior: como derivadas, acredito que existem a publicidade íntegra e a salafrária, assim como a boa e a ruim – e nessa última classificação o retorno em vendas pode não ser o critério definitivo.

Estranho eu, não?

Mas só que as coisas que eu faço e crio, se não forem muito mexidas por mãos (e cabeças) inábeis, me dão muito prazer na feitura, vendem pra caramba e me deixam dormir tranquilo. Bem tranquilo, aliás.

Você faz parte daquela outra corrente? A que sacrifica a sensibilidade, o bom gosto e a integridade em nome de uma visão superlativamente vendedora, imediatista, materialista, que pode até bombar, mas não tem compromisso com a construção de nada, nem com a dignidade?

A corrente que usa a pior ideia porque alguém disse que é ótima, porque está na moda, ou simplesmente porque não consegue produzir outra, por aguda falta de repertório?

Você é desses? E você se acha melhor publicitário do que eu por isso?

Tem certeza?

Tags: , , , , , , , , ,

Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>