Viral nada

Quando um fera do planejamento, como Fernand Alphen, hoje na JWT – de cima de toda a estrutura e experiência de que dispõe – expressa um pensamento a que você tinha chegado atuando no médio mercado, é porque seu nível profissional anda bem.

Desde que ouvi falar pela primeira vez em “fabricar virais” teimei com a ideia. Como assim? Um “viral”, assim no ambiente digital como na biologia, não é, por definição, aquilo que contagia sem que se estivesse esperando (pelo menos num primeiro momento)?

Dá para alinhar alguns elementos de virais famosos: emoção, humor, cafonice, despreocupação com o fato de pagar mico e até o que se chama, no limite da arbitrariedade, de “mau gosto”.

Mas identificar elementos que compõem uma coisa é bem diferente de saber produzi-la, particularmente em cases de comunicação. Ou, se você quiser, utilize o exemplo da arte: um estudioso de Van Gogh pode saber tudo sobre o genial pintor, o que não quer dizer que seja capaz de pintar como ele.

Alguns virais são resultado de uma feliz combinação entre aposta criativa e o gosto do público – esse ser amorfo, transmorfo, temperamental e onipresente, hoje fortalecido pelos meios digitais.

Os melhores, no entanto, são surpreendentes, imprevisíveis, derivados de uma zoação, curtição, piada ou então da simples vontade de compartilhar, quase sempre despretensiosas.

Ter uma “linha de produção de virais” – criá-los de propósito – é uma utopia que só interessa aos apocalípticos que veem nas mídias digitais o fim e o começo de tudo, e têm esperança sincera de que a tecnologia um dia usurpe completamente o talento.

Esses mesmos, que pensam haver fórmulas para tudo, segurança total na idolatria do método, que vendem acasos felizes temperados de talento como se fosse competência sua em aplicar uma técnica.

Esses dispostos a acreditar em qualquer coisa, mesmo mistificadora ou desumana, que lhes permita faturar algum.

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