Tipos

Há filmes de todos os tipos, para todos os tipos de pessoas (se é que pessoas podem ser classificadas em tipos). Existem filmes “tipo” de ação, “tipo” comédia, “tipo” romance, “tipo” comédia romântica. Assim como há espectadores ativos, engraçados, românticos, romanticamente engraçados – mas não são necessariamente esses que gostam daqueles. Pode não haver relação direta entre o que o espectador é “tipo” na vida e o filme de que ele gosta. E pode haver.

Existem, até, filmes sempre do mesmo tipo, para o mesmo tipo de espectador. Filmes “tipo” sempre os mesmos, sabe? “Tipo” sempre o mesmo filme, só que rodado de novo, com outro diretor e outros atores. “Tipo” igualzinho, mas tem gente que “tipo” gosta.

Há espectadores que não gostam “tipo” de nada, ou de muito pouco. Para os outros e para si mesmos, parecem “tipo” cultivar um gosto difícil que lhes valoriza a opinião e a autoestima. “Tipo”… “sou difícil porque sou refinado”, sabe? Tudo bem, até, mas gente que faz esse tipo muitas vezes não se diverte com nada, ou se diverte muito menos, entende? Às vezes dá dó, às vezes é chato. “Tipo” isso.

E há espectadores que gostam, amam a coisa – o cinema. “Tipo” apaixonados, mesmo.

Espectadores que veem em todas as coisas e técnicas e disciplinas que envolvem o cinema uma espécie de universo “tipo” encantado. O universo encantado em que se pode contar histórias de um jeito único, inimitável, com uma riqueza infinita de nuances e de detalhes e com uma transmissão de emoções que são próprias do meio, mas influem na vida… incomparáveis, marcantes, insubstituíveis. “Tipo” cinematográficas, entende?

E esse espectador “tipo” apaixonado pode até ver um filme e achar ruim, pode até achar “tipo” um abacaxi, mas se tem lá no meio uma cena, uma expressão, uma música, um movimento de câmera, um diálogo que seja que tenha emoção, beleza ou inteligência, ele “tipo” já acha que valeu a pena assistir. Ele “tipo” extrai o melhor que aquela experiência ruim ou morna tinha a oferecer (se ela tinha a oferecer alguma coisa).

Ele “tipo” dá um desconto, sem deixar de ser crítico, “tipo” tem boa vontade para ver se algo legal sobreviveu, em vez de nem querer assistir, “tipo” aproveita o momento-exceção, em vez de jogar tudo no lixo. “Tipo” reconhece a grande probabilidade de um filme não ser bom por inteiro – nem ruim.

Ele “tipo” sabe que um momento precioso é isso mesmo – precioso – e talvez seja bobagem desperdiçar, mesmo dentro de um filme ruim.

É “tipo” esperto esse espectador… ele “tipo” se diverte mais, “tipo” se emociona mais, “tipo” aproveita mais o que o cinema tem a oferecer.

Você não acha?

Eu sou um espectador “tipo” assim.

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