Certos raciocínios de Mestre Gaiarsa são incontestáveis, outros passíveis de discussão bem fundamentada e muitos, claro, dependem de interpretação e percepção individual.
Por isso, pode-se escrever sobre o Mestre reproduzindo-lhe um pensamento, concordando ou discordando dele, desdobrando-o (e todas as outras formas que possibilitar o domínio de linguagem do comentarista e a profundidade da obra do comentado).
Muitas vezes, escrevo aqui coisas que Gaiarsa não falou diretamente, mas tangenciou ou deixou implícito. Outras, expresso pensamentos e visões pessoais que considero diretamente derivados de meu aprendizado com ele. Hoje acho que vou nessa linha.
Porque creio que Gaiarsa não falou exatamente isso, mas forneceu a essência do seguinte raciocínio…
… vivemos divididos entre segurança e transformação; segurança é conservadorismo, transformação é amor; só transformação, o tempo todo, nos faz sofrer com a ausência total de uma estabilidade da qual precisamos para experimentar tranquilidade; só segurança, o tempo todo, nos imobiliza, petrifica e insensibiliza, impedindo que nos ampliemos, floresçamos e experimentemos a vida em sua plenitude.
E uma das tarefas mais importantes e difíceis da vida é descobrir o quanto de segurança e de amor – de transformação! – se precisa, se deseja, se quer.
Por isso, nem todo conservadorismo é nocivo e nem todo amor é construtivo (claro que, aqui, a palavra “amor” é utilizada em só uma de suas acepções; afeto, parece, é sempre construtivo).
Guardadas as necessárias liberdades individuais (de escolha e de não escolha), tenho para mim que toda vez que alguém se agarra desesperadamente a hábitos (às vezes muito, muito ruins) que provocam sofrimento (às vezes muito, muito sofrimento) a humanidade perde parte do brilho que poderia ter.
Frequentemente, me questiono se esse exercício de liberdade individual não nos ameaça como espécie.
Posso estar equivocado, ou talvez sendo radical, mas sempre que vejo alguém se resignar a uma dor velha em vez de se ampliar frente a uma insegurança nova, penso que esta pessoa está trabalhando contra o amor. Talvez, plantando a própria infelicidade. Talvez, a minha.
E talvez a sua também.






