Idólatras

Não vejo diferença significativa entre o cidadão que endeusa o camarada à esquerda e o camarada que endeusa o comandante à direita. Um passo a mais, ou nem isso, e os dois vão se trombar pelo avesso.

Não, o líder carismático não fez só coisas boas para o Brasil e pelos pobres, munido de uma santa intenção revolucionário-proletária de justiça social. Sabemos bem que líderes políticos raramente – quiçá nunca – são movidos por intenções puras. É ingenuidade acreditar nisso – mesmo que se acredite que o carismático foi um bom líder, o que é bem diferente de considerá-lo um santo.

E também não, o comandante sem carisma, nem graça – nem educação, nem gentileza – não é o responsável por ações rapidíssimas de inovação e progresso (incensadas em mensagenzinhas de zap de autoria duvidosa) que provavelmente já estavam de há muito em andamento, conduzidas por bons gestores e/ou técnicos, apesar de qualquer governo. É fantasioso aceitar essa ideia também.

A bobagem de achar que alguém é bom, só bom, sempre bom, contraria a história, o bom senso, a lógica e, pior, os sentidos. Basta olhar as caras e os jeitos que você verá, em qualquer um (nesse seu super líder também), a humanidade evidente, ululante, que não existe sem o lado negativo, as más intenções, as mágoas, os rancores, as neuroses, os erros.

Tenho para mim que em certa passagem um tanto bem conhecida da Bíblia, citada abaixo em versão livre…

“Não construirás para ti ídolos, nem os adorarás.”

… o sábio autor referia-se mesmo, ou talvez em grande parte, não aos ídolos religiosos que representavam deuses escolhidos ao acaso ou ao gosto do freguês, em contraposição ao deus único, esse com letra maiúscula – Deus – mas sim a esses “eleitos” bem mundanos, tratados por outros mundanos muito incautos como divindades.

Seja essa passagem sobre idolatria entendida dentro da linguagem super simbólica e metafórica da Bíblia, ou seja ela tomada ao pé da letra, o risco que se corre é o mesmo: o inferno.

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O textos sagrados são imprecisos. Antes de criar o céu, antes de criar a Terra, antes mesmo de criar a luz, Deus criou… a música – pois que foi inspirado por ela que depois Ele fez tudo tão belo (a parte feia normalmente é feito nosso).

Ele criou os sons, as notas que os representam, a infinitude das melodias. Depois, por uma questão prática, criou para si uma partitura – a primeira de todas – registrou tudo nela e a pôs no bolso de sua túnica. Os homens só viriam a descobrir o que é uma partitura muitos bilhões de anos depois (e por inspiração divina).  [ continua ]

Quem sou eu

E eis que o jovem publicitário, vocação descoberta aos 16, confirmada na faculdade e desenvolvida desde então, descobriu-se também… redator.

A fluência com que as palavras vinham só precisava ser moldada pela criatividade, cuidadosamente cultivada, e pela elaboração trazida pela experiência de vida, única, insubstituível. Assim se fez.  [ continua ]

Brilhar

Brilhe. Eu te apoio.

Não tente me afastar.

Eu simplesmente vou ficar.

Pode brilhar.

[ continua ]

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Intervalo

Caro leitor, este blog ficará alguns dias – talvez algumas semanas – de férias. Convido-o a, enquanto isso, ler os posts do acervo. São mais de 400. Volto assim que puder. Grato pela compreensão.

O que todos querem

Sim, mas o que é o resultado?

É a grana na conta, sem nenhuma realização durante o processo?

É o gol marcado, sem nenhuma beleza nem graça no jogo? [ continua ]

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Esqueça a baboseira da independência total e do não precisar de ninguém. É tolice desumanizante. E esqueça a suposta relação entre individualização (individuação?) e frieza, distância, invulnerabilidade afetiva – a negação do outro. [ continua ]

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Ingrid Guimarães, a faminta, reduz a riqueza, a espetacularidade e até a saudável superficialidade do cinema com sua frivolidade de engraçadinha-por-obrigação. [ continua ]

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Entre a separação de seu primeiro marido e seu amor seguinte, Daniela Mercury parecia muito mais sexy que o usual em um videoclipe, nos anos 90. Sempre pensei que era alta disponibilidade afetiva. Senti encanto. [ continua ]

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Ambos

Raivosos da direita e da esquerda se julgam, ambos, do “lado do bem”, defensores da verdade, heróis democráticos contra “os tiranos do lado de lá”. Conheço, de perto e de leitura, gente que pertence a esses tristes, desgastados e desgastantes dois grupos (ultrapassados talvez como nomenclatura, mas não como veneno d’alma). [ continua ]

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