A cada linha que eu lia, se me acrescentava consciência. Algo em mim se desmanchava e reconstruía sem uma decisão muito clara para mim mesmo, naquela hora, mas assustadora e maravilhosamente nítida depois. O primeiro foi Sexo, Reich e Eu.
Aquele homem já idoso que me magnetizava na TV estava mudando a minha vida com suas palavras, agora escritas. Eu não estava preparado para ser catapultado à percepção não preconceituosa e padronizada das coisas. Mas quem é que está preparado para uma revolução? Ela veio, e se fez em mim, pela lucidez daquele mestre tão enfático, tão ousado, tão consistente em suas ideias e conhecimento.
Uma a uma, as referências que eu tinha, tão distorcidas, tão simplistas e primárias, se dissolveram. Tive medo, muito medo, por um tempo. Depois, criei coragem. As portas de meus olhos e ouvidos se abriram de modo irremediável, o susto de ser apresentado à realidade foi superado e me pus a estudar com afinco o que dizia aquele mestre, tão temido, tão amado.
A certa altura ele diz que, se a educação nos deixa neuróticos, deixar de ser neurótico significa negar toda nossa educação. Fiquei abalado, mas eu sentia assim. E agora?
Agora era descobrir como viver e conviver com essa nova realidade. Agora era enfrentar o desafio de relacionar-se com as pessoas como indivíduos, não com seus papéis atribuídos socialmente e impostos cruelmente.
Agora era reaprender a amar. Ou amar com consciência pela primeira vez, sei lá. Era fazer tudo diferente. De certa forma, começar tudo de novo. Exasperante, mas encantador. E foi minha escolha.
De lá para cá, aprendi muito, aprendi mais. Absorvi o máximo que pude daquele mestre enquanto ele estava por aqui. Para falar a verdade, mesmo agora que ele partiu continuo absorvendo – e continuo descobrindo conteúdos que me surpreendem.
O leitor que buscar esse mestre, para aproveitá-lo precisará despir-se de suas certezas e expor-se nu para as delícias e dores da consciência. Talvez o processo seja sofrido de início, mas nada é mais sofrido do que existir meio no limbo, morrendo de angústia ou cronicamente anestesidado, alienado da vida que está à sua volta – e em você.
Espero, torço e trabalho para que esse despertar aconteça para muita gente, o máximo possível, e desejo sinceramente que seja tão belo e compensador quanto tem sido para mim. Minha esperança é que essa iluminação seja contagiosa e – como esperava o mestre – um dia salve a humanidade.
Porque, com todas as dificuldades, com toda a energia que precisa ser investida, com toda a maré contra, com todos os olhares feios, prefiro sentir-me vivo a estar sonâmbulo.
Com todas as discordâncias que se possa ter, reparos que se possa fazer, receios que se possa sentir, tenho vontade de partilhar essa possibilidade de plenitude que vivencio.
Para mim, sempre foi assim: Mestre Gaiarsa me toca, me assusta, me encanta e, por isso mesmo, me amplia.






